Inexistente enquanto bairro durante os primeiros quatro séculos de história de Salvador, a Pituba, assim como outros bairros circunvizinhos, era uma área de densa mata atlântica pouquíssimo tocada por mãos humanas. Desde o século XVI, a área onde hoje são os bairros da Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores pertenciam à Fazenda Pituba, assim batizada em virtude do homônimo tupi que significa brisa, sopro, exalação. Uma pequena vila de pescadores foi a primeira zona remotamente urbana da região, formada aproximadamente ao mesmo tempo que a fazenda por pescadores oriundos da antiga aldeia do Rio Vermelho.
A história da Pituba se transforma no princípio do século XX quando o português Manoel Dias da Silva, então dono da Fazenda Pituba, começa a desenvolver a ideia de lotear e urbanizar as suas terras, dando assim continuidade à ideia da criação da “Cidade Luz”, conceito pensado por José Félix, antigo Barão do Rio Vermelho, antigo proprietário daquelas terras. Manoel Dias adoece, retornando em seguida a Portugal, e compete a seu cunhado e herdeiro, o mineiro Joventino Silva, a tarefa de continuar o projeto.
Joventino Silva, assim, encomenda ao engenheiro Teodoro Sampaio o projeto de arruamento e loteamento de uma área litorânea da Fazenda Pituba, que, quando concluído, previa a abertura de 25 ruas, sendo dez paralelas à costa e 15 transversais. Mesmo feito em 1919, o projeto só seria aprovado pela prefeitura em 1932, ano em que começaram a ser abertas as ruas e loteados os terrenos a partir do chamado Loteamento Cidade Luz, onde hoje é a Praça Nossa Senhora da Luz.
Os primeiros anos do novo bairro foram marcados por pouquíssimo desenvolvimento. Até o final dos anos 50, quase nenhuma das ruas possuía pavimentação, muitos lotes seguiam desocupados e a única maneira de chegar à Pituba por uma via urbana era pela Avenida Octávio Mangabeira (orla), então de pista única e recém asfaltada. Uma única linha de bonde, vinda do Rio Vermelho, alcançava o atual Largo das Baianas.
Em 1959, um novo ponto de virada aconteceria na história do bairro: Joventino Silva firmou acordo com a Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), no qual Silva doava à prefeitura uma área de 264 mil metros quadrados, tendo em contrapartida a compra de uma outra área, com cerca de 460 mil metros quadrados, pela PMS, passando, assim, mais de 700 mil metros quadrados ao controle do poder público. Por exigência de Joventino Silva, no entanto, parte dessa área deveria ter a vegetação preservada como reserva ambiental, o que, posteriormente, levaria à criação do Parque da Cidade.
A partir daí, a Pituba intensificaria seu ritmo de crescimento. Em 1960, foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora da Luz, em construção havia seis anos; em 1961, veio a fundação do Colégio Militar de Salvador; em 1964, foi construído o Clube Português, que rapidamente se tornaria um ponto de lazer e badalação famoso em toda a cidade. Ainda nos anos 60, foi inaugurada a Avenida Paulo VI, que, tendo a missão de garantir acesso mais fácil ao Colégio Militar, ajudou a “interiorizar” a Pituba. Na mesma década, foram criados diversos loteamentos e conjuntos habitacionais, como o Júlio César (atual Parque Júlio César), Parque São Vicente, Parque Santo Antônio e Conjunto Aquarius, que recentemente ganhou status de bairro.
Posteriormente, a conclusão de projetos como a Avenida Tancredo Neves (1968), Avenida Magalhães Neto (1970), a nova Rodoviária (1974), o Detran (1974), o Shopping Iguatemi (1975) e a Avenida Antônio Carlos Magalhães (1975) contribuíram para esse movimento de interiorização e integração da Pituba, Itaigara e do nascente Caminho das Árvores com a “cidade” propriamente dita.
A profusão de obras de grande porte nos anos 70 trouxe infraestrutura para um crescimento populacional na região da Pituba que seria intensificado após a inauguração, em 1978, do Polo Petroquímico de Camaçari, quando muitos trabalhadores de alta qualificação, vindos de outros estados, se estabeleceram em Salvador.
A partir dos anos 80, a região, já urbanizada, começou a ser alvo de especulação imobiliária. Na década seguinte, um “pool” de cinco construtoras fechou um acordo de desafetação de área pública com a PMS, no qual, em troca de um imóvel na antiga Estrada Velha do Aeroporto, assumiria um terreno de propriedade da prefeitura junto à antiga sede dos Correios para a construção de um loteamento, tendo de apresentar, como contrapartida, a criação de áreas verdes de uso público e de um colégio. Assim nasceu, em 1997, o Pituba Ville, cuja contrapartida à cidade prevista em acordo acabou por se tornar nula: o colégio em questão acabou sendo uma instituição privada — o Colégio Anchieta, inaugurado em 2003, um dos mais caros de Salvador — e a área verde prometida fica dentro do próprio loteamento, que possui acesso controlado e não se tornou propriamente um espaço de uso público.

No início dos anos 2000, a Pituba passou por uma requalificação que atingiu a Praça Nossa Senhora da Luz, a Avenida Manoel Dias da Silva e o Jardim dos Namorados, trazendo características perenes ao aspecto da cidade. O Parque da Cidade também passaria por requalificação posterior, constituindo-se como um dos principais equipamentos de lazer ao ar livre de Salvador. O Clube Português, que encerrou as suas atividades em 2001 após uma longa crise financeira, teve seu espaço tomado pela PMS devido a anos de atraso no IPTU, foi demolido e no local a prefeitura construiu a Arena Aquática de Salvador, inaugurada em dezembro de 2018.
A Pituba guarda até hoje muitas marcas de pessoas que, direta ou indiretamente, construíram a sua história. Joventino Silva, que protagonizou a gênese do bairro, foi homenageado não apenas com a concessão do seu nome ao Parque da Cidade — fundado em 1975 como Parque Joventino Silva —, mas também com a Praça Belo Horizonte, assim batizada em homenagem à cidade de origem de Silva. Manoel Dias da Silva, que começou a tocar o projeto antes do seu cunhado Joventino, acabou batizando a avenida mais importante do bairro. Figuras como Ernesto Lebram, fundador da Construtora Lebram — responsável por inúmeras obras, especialmente de prédios residenciais, na Pituba a partir dos anos 70 — também deixaram seu nome na história: Ernesto Lebram batiza a praça central do Pituba Ville e também virou nome de um edifício residencial de alto padrão erguido pela própria construtora na rua São Paulo.
